Por Verônica Ribeiro · Psicóloga de adolescentes · CRP 05/28293 · Publicado em 17 de outubro de 2026
Você pergunta como foi o dia e recebe “normal”. Tenta saber o que aconteceu e escuta “nada”. Quando isso se repete, pode surgir a sensação de que seu filho já não quer você por perto. Eu proponho observar não apenas quanto ele fala, mas o que acontece quando uma conversa começa.
O silêncio tem sempre o mesmo significado?
Não. A busca por privacidade pode fazer parte da adolescência. Há também dias de cansaço, dificuldade de colocar experiências em palavras ou preferência por conversar em outro momento. Só o silêncio não permite concluir que existe rejeição ou um problema psicológico.
Vale considerar como essa mudança se apresenta na vida dele e se há prejuízos persistentes na rotina. Na dúvida, uma avaliação individualizada ajuda a compreender a situação, sem transformar um comportamento isolado em diagnóstico.
Observe o que acontece depois que ele conta algo
Imagine que seu filho mencione uma discussão com um amigo. Você pode sentir vontade de investigar todos os detalhes ou dizer imediatamente o que ele deveria ter feito. Antes disso, procure compreender o que ele quer compartilhar. Escutar sem interromper ou antecipar uma conclusão pode abrir espaço para uma conversa mais clara.
A orientação da Academia Americana de Pediatria enfatiza a importância de ouvir, evitar reações precipitadas e comunicar valores sem humilhação ou julgamento. Isso não exige concordar com tudo: permite compreender a situação antes de responder.
Como iniciar uma aproximação possível
Escolha um momento em que você também consiga estar disponível. Em vez de fazer várias perguntas seguidas, experimente um convite simples: “Quero saber como você está. Tem alguma coisa do seu dia que queira me contar?”. Se ele não quiser falar naquele momento, combine outra oportunidade sem transformar a recusa em uma disputa.
Mostre interesse também pelo que não envolve problemas: uma música, um interesse ou uma opinião. Nas orientações do UNICEF, a comunicação inclui interesse pelo mundo do adolescente, escuta atenta e respeito ao tempo necessário para se expressar.
E quando ele responde com grosseria?
Respeitar o tempo dele não significa aceitar ofensas. Você pode ser breve: “Você pode me dizer que não quer conversar agora. Preciso que fale comigo sem me ofender”. Se a discussão estiver aumentando, interrompa e combine quando retomar o assunto. A pausa precisa ter continuidade para que a questão não fique sem encaminhamento.
Eu considero importante separar duas tarefas: compreender o que ele vive e conversar sobre a forma como trata você. Quando tudo vira uma única cobrança, fica mais difícil saber qual questão está sendo discutida.
Quando buscar orientação parental?
Se as tentativas de conversa terminam repetidamente em conflito, a Orientação parental para pais de adolescentes oferece uma sessão pontual para examinar a dificuldade e definir próximos passos. Quando a demanda é um espaço de cuidado para o próprio jovem, a psicoterapia para adolescentes pode ser avaliada.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação da história da sua família.
Fontes para aprofundar
Academia Americana de Pediatria: comunicação e escuta na adolescência (em inglês).
UNICEF: orientações para conversar com adolescentes (em inglês).

